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seguem ativos.

BoaProva explica encerramento das atividades
8 de novembro de 2010

O professor Daniel Perdigão, do BoaProva, iniciou há mais de um ano seu trabalho no Ministério da Educação (MEC). Sua função, para alguns, é nobre; para outros, pitoresca: levar cursos universitários de formação de professores para pequenas cidades do interior do Tocantins.

"As ideias que as pessoas do Sul-Sudeste têm desta região do Brasil são, em parte, verdadeiras", afirma Perdigão. Ele se refere a uma desigualdade social que leva uma grande quantidade de pessoas a viver em uma pobreza extrema. "É diferente de ir a uma favela, porque a favela, por ter alta densidade de pessoas e estar nos grandes centros, é mais facilmente servida por serviços públicos. Na favela, as pessoas têm mais oportunidades para fazer trabalhos pequenos, como bicos, ou pegar as sobras da classe média. Na favela, você entra nas casas e as pessoas têm muitas daquelas coisas que a gente vê em propaganda de lojas de eletrodomésticos. Aqui, não", relata o professor.

Para Perdigão, seu trabalho pode contribuir para mudar esta realidade. "No Tocantins, a classe média é muito menor que no Sul-Sudeste. E quem a gente vê formando [constituindo] essa classe média, essa elite cultural no estado? Muita gente de fora [emigrantes dos grandes centros]. O pessoal daqui tem pouca qualificação e perde oportunidades de emprego, enquanto quem vem de fora [profissional qualificado] dificilmente fica desempregado sem ser por opção. [Por isso] a gente precisa qualificar esse povo [local]", diz Perdigão.

Nosso professor crê que aumentar a qualificação profissional da população local poderá criar um ciclo virtuoso. "Aumentar a classe média e sua renda, para que possa consumir mais e aumentar as oportunidades da camada mais pobre da população, mantendo a sustentabilidade, a cultura local, enfim. Acho que o caminho é por aí", explica Perdigão.

Agora, o professor Perdigão terá pela frente um novo desafio: apresentar conteúdos de Matemática, Física, Química e Informática a alunos ingressantes em Engenharia Florestal e Agronomia no campus da Universidade Federal do Tocantins em Gurupi. Com o regime de dedicação exclusiva associado à vaga de docente conquistada em concurso público pelo professor Perdigão (a ser homologada nas próximas semanas), o BoaProva deixa de poder oferecer aulas, limitando-se, portanto, à oferta de livros e à continuidade da conversa despretensiosa que o professor tem com seus alunos por meio do BoaProva Blog.

"Estou contente pela vaga, contente pelo trabalho, mas lamento por aqueles que queriam fazer BoaProva e não poderão", disse Perdigão. "Houve a tentativa de entregar a escola para alguém que a quisesse e que tivesse competência e ética para tocá-la preservando o patrimônio que temos, da marca BoaProva, do Secular, dos nossos livros, do nosso método, mas não encontramos ninguém", lamentou Perdigão.

O professor Perdigão faz questão de agradecer aos colaboradores e alunos. "Foram mais de sete anos de muita luta. Não fosse a colaboração daqueles que nos abriram as portas de suas escolas para nós nos instalarmos, como a professora Lília Marmorato, dos parentes, como minha querida avó, que chegou a fazer panfletagem na porta do Enem e da Fuvest, dos amigos, como o Rodolfo e a dona Anunciata, a Michelle [que participaram da administração], a Sonia, colaboradores como o Jhonatan e a Ana Clara, não fossem os alunos e seus pais indicando a outros pais e alunos, como os Delalíbera, o Glauco, a Monize, o Yúri, a Lívia e o André e tantos outros que admiravam nosso trabalho, como Claudinei, Camila, Raphael, Fernando, este BoaProva não seria nada. Nada. Serei eternamente grato a todos que colaboraram, mesmo àqueles que o fizeram por seus próprios interesses", declarou Perdigão, visivelmente emocionado.

Aproveitamos para enfatizar que os livros do professor Perdigão seguem sendo vendidos normalmente, e que a atualização contínua do BoaProva Blog ainda é um dos lazeres preferidos do professor. Portanto, o BoaProva não morreu na alma. Ele segue existindo na Universidade Federal do Tocantins, nas aulas do Perdigão, nos livros e no blog.


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